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NAVARRO DOMINGO, 27 DE FEVEREIRO DE 2011

Pedro Paulo Machado de Sousa

Beleza atemporal: Maitê Proença, personagem e testemunha do “Vaudeville” de Ricardo Amaral, em clique de Pedro Paulo Machado de Sousa

Nova sociedade
Encerrando o último capítulo de “Vaudeville”, mais uma vez endossamos Ricardo Amaral. Em suas páginas e praias, a visão do lendário rei da noite não é diferente da nossa, mesmo entre montanhas: “O metabolismo geral de comportamento social mudou”, fala Amaral, e não necessariamente para melhor ou pior. “Tenho horror ao saudosismo barato”, declara. 

Nova configuração
Sobre a sociedade tradicional, alta sociedade e o café soçaite, Amaral diz que a dinâmica das últimas décadas mudou tanto que essas “grandes confrarias” foram se esvaindo, perdendo até a razão de existir: “Isso não é um processo local, mas internacional. Aqui a maioria desse dinheiro não frequenta e pratica uma espécie de isolamento auto imposto, muitas vezes descontraindo-se apenas fora do Brasil”.

Novos hábitos
Como há algum tempo comentamos aqui na coluna – mas, no caso, sobre a sociedade mineira –, Amaral diz que os poderosos estão cada vez mais fechados em suas casas, seus aviões particulares e seus barcos, longe do convívio coletivo. E estão abrindo menos suas portas. “Claro que existem elites empresariais, culturais, científicas, artísticas, filantrópicas e tantas outras que lideram movimentos e eventualmente interagem com a sociedade como um todo. Talvez estes hoje se encontrem mais nas redes sociais tipo Facebook do que pessoalmente”.

Novo glamour
Para Amaral, o glamour deu uma grande pulverizada: “Aquilo a que pouquíssimos tinham acesso, ou se permitiam desfrutar, foi aberto, ampliado, democratizado. O glamour virou quase que um produto de consumo. Perdeu-se na elegância. Ganhou-se na descontração e no volume”. A massa de dinheiro novo provocou uma grande mudança nos padrões éticos: “Falar em dinheiro era uma coisa horrível, prática somente dos chamados novos-ricos. Hoje, imagine, os cifrões são alardeados”, compara Amaral.

Novas celebrações
Se, antes, até uma viagem longa era motivo para comemorações entre amigos, “Hoje as grandes festas são comerciais, empresariais, inaugurações, lançamentos de produtos, com exceção dos casamentos. Estes transformaram-se em verdadeira indústria”. Assinamos embaixo! Perdeu-se o gancho da cumplicidade, da familiaridade. Hoje vale a quantidade em detrimento da intimidade.


Curtas e finas

* “O chato nunca procura tratamento; procura você”, de Luciano Lobato, no Facebook.

* “Não falei que tô apaixonado por ela...  Simplesmente disse que gosto muito do chão que ela pisa”, de Linus van Pelt, personagem da turma do Charlie Brown.

* A banda Strategia (pop) e o DJ AUM são as atrações de hoje no PIC Pampulha, às 14h. No próximo domingo, tem a Matinê Infantil de Carnaval (shows, concurso de fantasias e recreação), às 11h.

E dia 8, o Circuito Cultural do PIC apresenta o cantor Roberto Avelar, às 14h30, no Bar Molhado, tocando marchinhas e sambas. Na piscina, às 14h, tem a Banda VIP, com repertório de dança de salão.

* Os grupos de dança contemporânea Coletivo Movasse e Dança Jovem se apresentam juntos, hoje, às 19h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

* Encerrado no último fim de semana, o 5º Verão Arte Contemporânea (VAC) – mix de artes visuais, música, teatro, dança, etc. – trouxe 42 grupos em 24 espaços culturais, público de 35 mil pessoas e movimentou R$250 mil.

Paulo Navarro, com Walter Navarro e Sabrina Santos