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NAVARRO TERÇA-FEIRA, 22 DE FEVEREIRO DE 2011

Arquivo pessoal

O fotógrafo Antônio Guerreiro – que manteve um estúdio em cima do bar Zeppelin, de Ricardo Amaral, em Ipanema – com uma das testemunhas oculares do noturno Vaudeville de Amaral, o mineiro Moacir Carvalho de Oliveira Filho

Moacir no Vaudeville
Duplos parabéns ao amigo aniversariante de hoje, Moacir Carvalho de Oliveira Filho, um dos poucos belorizontinos a vivenciar o livro “Vaudeville”, de Ricardo Amaral. Noites no lendário Hippopotamus, Rio, com o amigo Ronaldo Augusto Ferreira, dividindo mesa com Baby Monteiro de Carvalho, Antenor Mayrink Veiga, Lourdes Catão, Jorge Guinle... Nos embalos da pista do Hippo, ao lado de Pedrinho Aguinaga; Antonio Guerreiro, Ionita, Luma de Oliveira, Neville D’Almeida, Betty Faria.

Saudades do Vaudeville
E mais: Cacá Diegues e a amiga nova-iorquina Carmen D'Alessio (Studio 54 e Clube A). Moacir lembra que, ao contrário dos templos charmosos e confortáveis de Amaral no Rio, São Paulo, Nova York e Paris, hoje “fica-se em pé e paga-se com cartão”. Amaral recorda que as noites dos anos 70 e 80 tinham nome e sobrenome: “Todos, de alguma maneira, se conheciam; o convívio era mais coloquial e propiciava certo tipo de comportamento”. Claro, também havia figuras incontroláveis.

Souvenir do Vaudeville
Hoje, mal conhecemos o vizinho do apartamento ao lado, não fazemos uma visita nem tomamos cafezinho em casas amigas. Hábitos como os citados por Amaral: as viagens, raras, tinham direito a festas de despedida e ao tradicional bota-fora com os chegados no aeroporto. Em uma deles, conheceu sua Gisella.

Mineiros do Vaudeville
Poucos mineiros estão nas memórias de Amaral: Cláudia Gonçalves, a “bela” de Jean Claude Pujol, sócio dele no Clube A em NY; Aécio Neves, em fotos com Monique Evans, Belisa Ribeiro, Maitê Proença e Maria Zilda; JK com Dona Sarah e a filha Márcia; Regina Rique; Eliane Pinheiro e Armando Gaudêncio, que fechou o Alô, Alô em NY para festa da Divina Decadência. Sobre o “Programa Paulo Navarro” no Banana Café em NY, nada! O Rei da noite, como detesta ser chamado, lembra que foi ele quem criou os fogos na virada do ano no Rio.

Infindável Vaudeville
E mais: o primeiro Camarote da Brahma na Sapucaí, a feijoada com carnes separadas e em 1990 o vinho, enfim, bebida oficial de jantares. Para Amaral, o único macho era Nelson Rodrigues porque em duas páginas estão todos os que levavam jeito ou eram “bichas”.  Conta ainda o trabalhão que as drogas deram em banheiros de casas noturnas no final dos anos 70 e 80.


Curtas e finas

* Sobre as drogas, Amaral diz que o jornalista Tarso de Castro chegou a propor ao incorporador Sérgio Dourado criar apartamentos com menos quartos e salas com mais banheiros.

Da predileção de Michael Koellreutter, então editor da revista “Interview”, onde o titular desta coluna, PN, tinha uma página, pelo banheiro como melhor lugar para namorar a mulher de um amiguinho seu!

Receita da feijoada do Amaral: convidadas gostosas, empresários, artistas, estrelas do mundo social, políticos, candidatas e candidatos a tudo isso, putas interessantes, veados charmosos.

* Ainda no livro de Amaral: “Mulher bonita está sempre ocupada. A gente tem que tirar de alguém. E isso é muito chato!”, de Vinícius de Moraes, em jantar com Amaral no Antonio’s.

* “Sabe, Ricardinho, o difícil é se separar a primeira vez. A segunda também. Já a terceira é muito mais fácil. É como esses vidrinhos de azeitonas: o difícil é tirar as primeiras!”, outra de Vinícius.

* Se tiverem paciência, continuamos amanhã, merci. De leve e à demain...

Paulo Navarro, com Walter Navarro e Sabrina Santos