Salvem as borboletas
A malvada especulação imobiliária continua destruindo os nossos verdes. O mais novo ataque ameaça a Mata das Borboletas, Sion, “único pedacinho de área verde, um dos últimos santuários ecológicos da zona sul”. Em defesa, tivemos a audiência pública, dia 17 de dezembro, que serviu como denúncia dos crimes ambientais. Foi apresentado um filme mostrando o sacrilégio que vem ocorrendo, como o impacto de vizinhança: barulho, alteração da paisagem natural, poluição visual e bem mais.
Salvem o Sion
Também no filme, o impacto nos ecossistemas: desaparecimento das nascentes e várias espécies da fauna (peixes, pássaros, borboletas, insetos, micos, preás, tatus, seriemas) e as espécies da cobertura vegetal do cerrado e mata atlântica. Reivindicações foram feitas mesmo sabendo ser impossível reconstituir 100% as características naturais anteriores.
Salvem o belo
Completando a coluna ecológica, duas boas notícias: o Ministério Público inteirou-se de mais abusos na região do Vale do Sereno e Seis Pistas no quesito “impacto urbano”. Vai agir. E mais, uma equipe de arquitetos com foco no desenvolvimento de projetos para empreendimentos imobiliários sustentáveis é a nova estratégia da Torres Miranda Arquitetura. A equipe é formada por profissionais com experiência internacional, como o arquiteto Gustavo Capanema, que acaba de chegar dos EUA.
Salvem o horizonte
Outros reforços são Thaís Bíscaro, que cursou mestrado em Qualidade Ambiental em Arquitetura e Urbanismo, na Université Bordeaux 1 (França) e Fernanda Romano e Silva. Os sócios da Torres Miranda, Maurício Miranda e Júlio Tôrres, afirmam que o investimento na área – R$ 100 mil em treinamento, aquisição de equipamentos, etc – é altamente justificado.
Curtas e finas
* Em tempo: segundo todos os arquitetos envolvidos, BH tem necessidade constante de sustentabilidade.
Para a dupla Torres Miranda, “em BH, infelizmente, ainda não temos cursos específicos para arquitetura sustentável. A solução foi contratar profissionais de fora. Temos certeza de que investir em arquitetos da própria equipe é fundamental”.
* Há 20 anos, o titular da coluna já batia nessa (verde) tecla. Como diretor da revista ecológica “Alquimia”, encabeçou passeata pela preservação da Mata das Borboletas, tendo como convidado o lendário Profeta Gentileza.
Pra quem não se lembra, ele viveu até 1996, sob o signo da solidariedade; distribuindo flores, oferecendo ajuda e pregando a gentileza (também em relação à natureza), inclusive através de mensagens que escreveu sobre 56 pilastras do Viaduto do Caju, no Rio.
Gentileza ainda foi homenageado em músicas de Gonzaguinha, Marisa Monte e no enredo de 2001 da Grande Rio, sob o comando do carnavalesco Joãozinho Trinta.
Paulo Navarro, com Walter Navarro e Sabrina Santos