Simone Demolinari

O governador Aécio Neves aponta ao colega José Serra por onde passa a sucessão: Minas...
Só faltou JK
O que se viu, ontem, mais ou menos em Belo Horizonte, nos arrabaldes da capital, foi a inauguração de um filhote de Brasília, filho temporão. O governador Aécio Neves, no dia do centenário de seu avô, abriu as portas da já monumental Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Em Aécio cabe a definição de Caetano Veloso para Chico Buarque: um cara que caminha pra frente, arrastando a tradição. Para o início da rápida cerimônia, até os céus se abriram, levando embora a chuva.
Só faltou Oscar
Claro que, rimando com Belchior, por medo de avião – e idade mais que avançada - o pai da criança, arquiteto Oscar Niemeyer não compareceu à solenidade. Tudo bem! Niemeyer é sua obra, suas curvas e desenhos concretos. Na aura de Diretas Já e Tancredo Forever, a atriz Christiane Torloni foi a mestre de cerimônias. A cantora Fafá de Belém cantou o Hino Nacional, Milton Nascimento atacou de Coração de Estudante e um grupo de adolescentes completou o clima inconfidente e musical.
Só faltou Tancredo
O grupo, em camisetas com a frase “Eu trabalhei aqui”, formou a bandeira de Minas com seus capacetes, ao som do clássico de JK, “Peixe Vivo”. Em estilo presidenciável, Aécio Neves desceu a rampa e chegou bem perto do público de três mil fiéis. Fiéis que constrangeram o governador de São Paulo, José Serra, gritando “Brasil pra Frente, Aécio Presidente”.
Era só o que faltava
Outro convidado de peso era o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Oswaldo Borges da Costa, presidente da Codemig, que construiu a “nova Brasília”, falando à coluna, não deixou de demonstrar sua indignação a propósito das declarações do governador Serra, na “Folha de S.Paulo”, depreciando o Centro Administrativo e seu simbolismo.
Simone Demolinari
Está na cara do elegante Oswaldo “Codemig” Borges da Costa o que ele acha sobre a raposa, as uvas e José Serra
Curtas e finas
* Na pauta, claro, homenagens aos presidentes Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, incluindo aí mineiros que construíram Minas e o Brasil.
* Outro convidado e ilustre combalido era o ex-governador e ex-presidente, Itamar Franco. Até seu topete estava a meio pau...
* O auditório principal da Cidade Administrativa leva o nome, a marca de Juscelino Kubistchek e sua frase: “Creio na vitória final e inexorável do Brasil como nação”.
* No parlatório, uma máxima de Tancredo Neves encimava: “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”.
Uma gravação tocou os sinos de São João Del Rey, para onde se dirigiram, logo em seguida, Aécio e sua comitiva para a “verdadeira festa em homenagem ao centenário Tancredo”.
* Graças aos céus e ao bom gosto, Lula não veio. Deus é grande, pai e criador!
Paulo Navarro, com Walter Navarro e Sabrina Santos