O começo do fim
No fim da década de 80, o vereador Otimar Bicalho, na administração Sérgio Ferrara, aprova, atendendo a interesses privados, a implantação do Belvedere 3; a verticalização contrariando moradores do Belvedere 1 e 2. Na década de 90, o prefeito Eduardo Azeredo, atendendo Belvedere 1 e 2, barra alvarás para o 3, alegando ilegalidade. Inicia-se o questionamento jurídico acerca dos impactos negativos (ambientais e de trânsito) pelo Belvedere 3.
O fim e os meios
Com Patrus Ananias a guerra continua, o prefeito mantém o veto e enfrenta liminares de juízes. Muda-se a lei a favor delas. É a Lei de uso e ocupação do solo de 1996. Mas, a PBH, até hoje, questiona na justiça os impactos negativos do Belvedere 3. Pergunta-se: Qual será a compensação dos empreendedores à cidade em uma vitória? Como se dará? Já que voltar ao cenário anterior ao problema já não é mais possível.
Os meios para sair
A coluna consultou a arquiteta Edwiges Leal. Para ela, o planejamento urbano não pode ser um paliativo. Precisa de ações do poder público, privado e da sociedade civil organizada. É a “crônica de uma morte anunciada”. Todos os agentes envolvidos sabiam dos problemas decorrentes de uma migração urbana tão rápida e volumosa. Nenhuma cidade está preparada para este movimento em tão pouco tempo.
Sair e sobreviver
Edwiges continua: a cidade corre atrás de soluções para problemas criados por ela mesma. Construir alças, pistas, viadutos é transferir o problema. Hoje o congestionamento que chega até a Contorno se dará na entrada ou na saída da futura alça! Não faz sentido “mexer” apenas em Belo Horizonte; mas também em Nova Lima, Rio Acima, Raposos e Brumadinho. A concessão para construir não pressupõe o simples direito de “fazer o estrito da lei” ou “o que se quer” ou pior “o que dá mais dinheiro”; mas sim critérios técnicos visando o bem comum.
Sobreviver e viver
Drenar os recursos atrativos, naturais e climáticos, por exemplo, é “matar a galinha dos ovos de ouro”. O que antes atraiu os empreendedores dá lugar ao desconforto. Como aconteceu no bairro de Lourdes; levando à expulsão de vários moradores para o então “paraíso prometido” do Belvedere! Tanto que uma migração contrária, do Belvedere para a cidade já é apontada por alguns especialistas.
Viver e ser feliz
Finaliza Edwiges: não podemos repetir o erro na bola da vez, o entorno da Cidade Administrativa e Vetor Norte. A Linha Verde e a nova Antônio Carlos serão insuficientes e estaremos discutindo novas alças, viadutos e corredores. Confiar que a administração pública tem poder para resolver os problemas urbanos sob pressão só faz criar uma cidade caótica, imprópria para se viver.
Paulo Navarro com Walter Navarro e Sabrina Santos